domingo, 6 de novembro de 2011

#12 A Entrada


.     Corria então o ano de 2005 e Clarice estava com 15 anos. Os tão esperados e sonhados 15 anos. Agora ela percebia que essa data não parecia tão importante assim, pelo menos ainda não tinha conhecimento da verdadeira "imagem por detrás do quadro", isto é, estava acontecendo toda uma movimentação por trás dela, algo que nem desconfiava, mas que estava prestes a se realizar. 
.     Na primeira semana com a nova idade nada muito anormal ocorreu, somente um bilhete estranho no meio do seu livro de cabeceira que dizia o seguinte: "Outro livro foi aberto, o livro da vida". Clarice achou aquilo meio estranho, principalmente pelo bilhete estar escrito com letras garrafais em estilo medieval e não pareciam impressas e sim, feitas à próprio punho. Achou que foi alguma brincadeira de sua irmã, guardou o bilhete e foi comer um sanduíche na cozinha. Naquele momento ela estava sozinha em casa, o resto do pessoal tinha saído  para dar uma volta e ela tinha resolvido ficar em casa, algo dentro dela dizia que aquela noite deveria ficar em casa.

***

.     Uma hora depois, Clarice estava sentada no sofá de casa, olhando aquela revista adolescente que todas as meninas liam, quando ouviu um ruído como se fossem asas de uma pássaro muito grande. Olhou ao redor, sentiu um arrepio estranho e não conseguiu ver nada. Voltou a ler sua revista, porém um pouco mais apreensiva; e novamente aquele ruído, e ele foi se aproximando até que pode sentir o resfolegar de asas em seus ombros. De súbito, de um modo absurdamente rápido, suas vistas escureceram e se sentiu transportada dali para outro lugar. Em questão de segundos estava na varanda de um chalé antigo, estilo vitoriano, no alto de uma colina. Olhou para o seu lado direito e havia uma figura enorme ao seu lado, só conseguia ver seus joelhos, tanto era o tamanho da criatura. Mas não tinha medo, se encontrava num estado de absoluta paz e se sentia muito protegida. Não conseguia ver o rosto daquele ser, primeiro porque estava longe e segundo porque dele emanava um brilho tamanho que não se distinguia sua fisionomia. 
.     Então o ser lhe falou:
-Clarice, antes eu só podia falar contigo através dos sonhos, mas agora é diferente. Tu estás amadurecendo e agora eu posso falar contigo pessoalmente.
-Vo... vo... você é o Emanuel?
-Sim, e vim pessoalmente te comunicar que agora fazes parte da minha Ordem, a Lumière, assim como sua mãe e seu pai. 
-Eles fazem parte disso?
-Sim, desde que eram jovens. Porque o espanto? Fostes gerada para fazer parte também.
-É sério? Nossa, então quer dizer que sou especial? 
-Sim, mas é claro que sim. E agora, como primeiro ato de iniciação, tenho uma missão para você. Mas a enviarei em forma de bilhete novamente como aquele que lhe mandei essa semana. E tente não colocar fora dessa vez... (risos)
.     Com espanto Clarice respondeu:
-Foi você quem mandou??? Desculpa, é que eu pensei que fosse brincadeira da minha irmã e...
-Eu sei. Não precisa te justificar. E agora precisas voltar para tua casa, até logo, filha. 

.     Nem deu tempo de Clarice responder e assim como estava naquele lugar agora estava em casa. Estava eletrizada e muito espantada. "Mãe, acho que temos que conversar" Foi só o que pôde pensar. Precisava de um café.




#Continua     

sábado, 29 de outubro de 2011

#11 O Nome


.     Depois da aula, Clarice chegou em casa muito cansada. Eram seis horas da tarde, estava sem ânimo para nada, mas tinha uma infinidade de atividades da escola para fazer, arrumar o quarto, ler o livro que  seria o tema do próximo teste de literatura. Sabia que não iria conseguir fazer tudo aquilo sem antes dormir um pouquinho e foi isso que ela fez. Programou o celular para despertar às 20:30h e capotou.
.     Não sei se pode ser chamada assim, mas talvez a "patologia" de Clarice era o mundo dos sonhos. Quase todas as noites ela mergulhava nesse mundo paralelo que a colocava como uma habitante de outro planeta. E o personagem que mais povoava seus sonhos era o tal Velhinho. No começo ela não soube o nome dele, aliás, ela na verdade não perguntava nada para ele, era como se tivesse uma trava na sua garganta. Sempre quando ela o via em seus sonhos, ele passava instruções a ela e o mais alucinante era que isso acontecia na vida real. Mas naquele dia foi diferente. 
.     Ela estava em uma cidade deserta, todos os habitantes daquela cidade pareciam haver sumido. Caminhava lentamente por um bairro que parecia ser parte do centro e vestia um vestidinho simples de oxford branco e chinelos. Um vapor esquisito circulava bem junto ao chão, como num filme de terror, mas ela não tinha medo. De repente, sentiu uma paz imensa inundando seu espírito e um toque suave em seu ombro. Era ele. Ela se sentia muito segura ao seu lado, e pela primeira vez fez-lhe a pergunta: 
-Como é seu nome? 
Com uma voz calma e absurdamente agradável ele respondeu:
-Eu tenho muitos nomes, mas basta que saiba esse: Emanuel.
-Eu acho esse nome lindo. Você está sempre ao meu lado né!? Por que você faz isso? Eu nunca te vi na vida real e também não te conhecia...
-Eu faço isso porque és minha filha. Com o tempo você irá entender, eu te darei as respostas. Agora está na hora de acordar, você tem muito o que fazer. 
.     E Clarice de súbito acordou, olhou no relógio - 20:29h - Um arrepio percorreu o seu corpo. Desligou o celular e levantou. Não podia ser verdade, aquilo era coisa demais para sua cabeça. "Como ele pode ser meu pai se eu já tenho um pai? Será que a minha mãe pulou a cerca? Ou eu sou adotada? Quem é ele?" E aquela voz ecoou dentro dela "Eu te darei as respostas". E ela aquietou-se pois sabia que a resposta mais cedo ou mais tarde viria. 





#Continua

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

#10 Chegando de sopete


7:30a.m: O coração dispara. Clarice não enxerga mais nada. A cada passo que dá em direção à sala de aula começa o velho turbilhão de perguntas: Será que vão me aceitar? Será que tudo vai correr bem? E se eu não corresponder as expectativas?
7:32a.m.: Clarice senta na classe mais afastada, no fundo da sala. A professora a questiona de onde veio, quantos anos, se gosta da matéria dela... etc. Clarice só responde "sim", "não", "talvez". O que na verdade não sai de sua mente é o sonho que ela teve na noite anterior: 
"O velhinho, novamente veio falar com ela. E entre apavorada e feliz, sentiu que mais uma orientação estava a caminho: 'Clarice, a partir de agora começa uma nova etapa da tua vida. Não te detenhas em guardar sentimentos egoístas e invejosos no teu coração, porque o lugar para onde vais é um antro de pessoas más.'" E isso não lhe saía da mente.
7:56a.m.: A bem da verdade é que ela não tinha a menor noção do que a professora falava: "Para onde vais é um antro de pessoas más". Observava cada colega e analisava os possíveis desafetos, mas só a convivência iria mostrar quem era o quê.  



#Continua

domingo, 29 de maio de 2011

#9 Novos horizontes


.     Manhã fria e chuvosa. Era o primeiro dia de Clarice na nova escola. Ela levantou um pouquinho cedo demais, com medo de se atrasar... tomou café, arrumou tudo e foi para o lugar onde passaria os próximos três anos de sua vida. Ansiedade, receio, auto-crítica. Esses sentimentos todos juntos inundavam o espírito conturbado de Clarice.
.     Chegando no local combinado, Clarice desce do carro receosa de que tudo ali possa ser o seu começo como também o seu fim. Pega a sua mochila, seus livros, e toca a vida. Dá uma olhadinha ao redor, põe a mochila em um ombro só, pega dois livros e começa sua marcha rumo ao portão. Um turbilhão imenso de emoções a bombardeiam. Clarice é nervosismo puro.
.     Entra no portão, tem alguns alunos na entrada, que a olham de cima a baixo. Clarice não vê nada. Foca no interior do prédio onde vê uma antiga companheira de time, e corre para abracá-la.

-Nossa, você por aqui? Nunca imaginaria você aqui Marcela!
-Pois é, né Clarice! Como as coisas mudam, se fosse a algum tempo atrás estaria bem longe daqui. Marcela riu-se.
-Pra você ver como são as coisas... eu também não queria vir para cá. Aqui estou... 
Marcela deu um risinho e puxou Clarice para o lado, sussurrando:
-Tá vendo aquela menina ali de cabelo escuro, com uma bolsa marrom?
-Claro que estou, não sou cega.
-Tá, não olha. Aquela ali é a Rebecca, não passe nem perto dela, senão a arrogância impregna você.
-Credo, pra quê falar assim, a menina nem deve ser tão má assim... 
-Vai nessa...
.     E Marcela não estava errada, Clarice iria sentir na pele a personalidade egocêntrica de Rebecca. Mas tudo ao seu tempo. 
.     Depois de encontrar Marcela e conversar um pouco, Clarice aliviou a tensão, e aí não parou mais... Conversou com quase todos os alunos que viu pela frente, cativando-os de tal maneira que nem ela tinha a mínima noção! É, até que não foi um mal começo para quem estava a ponto de explodir... Essa escola promete muitas e muitas coisas ainda...



#Continua

#8 Memórias de uma vida escolar


.     Buzinas, conversas, sinal. Sentada na classe Clarice sonhava com um futuro que estava mais próximo. Já na 8ª série, teria que decidir para que escola deveria ir para cursar o ensino médio. Estava indecisa, não queria deixar os amigos, a escola que sempre gostou de estar, a vida boa que levava naquela escola.
.     Seus pais já haviam a advertido que querendo ou não, teria que ir estudar em uma escola de um nível mais difícil das escolas que Clarice estava acostumada. Queriam que Clarice tivesse uma vida estruturada, sem maiores dificuldades. E deram o ultimato: ou estuda ou trabalha como caixa de loja ganhando um mixaria e tendo uma vida difícil. O que será que Clarice escolheu? Não é difícil de adivinhar...

***

.    Naquele dia Clarice estava meio entediada, aliás, não sabia nem por onde começar. Estava indecisa entre três opções de escola nova. Opção 1: Escola técnica federal. Opção 2: Escola tecnológica interna de turno integral a 2.000km de distância de sua casa. Opção 3: Uma nova escola que havia aberto vagas naquele ano para inscrições no ensino médio, com turno integral, particular. 
.     Primeiro Clarice fez a prova de seleção da escola técnica, passou em 1º lugar para o curso que queria (mecânica) e ficou entre os primeiros classificados para cursar o ensino médio. Logo depois fez o concurso para aquela escola tecnológica, só que infelizmente não passou na última fase - Clarice pensou: ótimo, menos uma. Essa era boa mas era muito longe - Por fim, fez a prova da escola particular de turno integral e ficou classificada entre os primeiros lugares.
.     Clarice escolheu a 3ª opção. Afinal de contas, nunca tinha estudado em uma escola particular e queria saber como era, usar uniforme, ter uma armário só para ela, conviver com pessoas de outro nível. Que, diga-se de passagem, era super necessário, já que Clarice era por assim dizer, grossa, não sabia se portar diante de pessoas da alta sociedade.
.     A decisão não empolgou muito o pai de Clarice, já que ele não estava muito a fim de desembolsar uma graninha comprando coisas e mais coisas para o colégio novo. Na verdade João queria mesmo era só pagar o material escolar do começo do ano e mais nada. 

***

.     E lá se vão alguns dias de preparo psicológico para entrar na escola nova. Clarice estava super ansiosa, não sabia o que esperar, bom, na verdade sabia, mas queria ter a certeza de que estava enganada.
.     Como uma garota simples que nunca se importou muito com aparências, Clarice imaginava suas novas colegas como aquelas patricinhas de seriados americanos, que andam com tudo que seja da última moda, que chegam de carro importado e namoram o menino mais bonito da escola.
.     Só que não é exatamente isso que Clarice irá encontrar na nova escola... ainda há muito o que viver e ser discutido, vivido, errado, acertado... enfim. Só o tempo sabe de tudo. E agora, o que restava a Clarice era esperar o próximo capítulo de sua vida.


#Continua

domingo, 10 de abril de 2011

#7 Som do coração

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.     Clarice não ia muito bem na escola no que se referia à ciências exatas. Sua pediatra sugeriu à D. Maria que pusesse Clarice em uma aula qualquer de música. O importante era aprender a teoria e a prática, que isso ajudaria em seu desempenho escolar. 
.     No começo, Clarice teve muita dificuldade, como tudo que se começa do zero, mas depois de um ano já era destaque entre os outros colegas de teoria musical. Parecia que tinha um dom nato para aquilo, nascera com ela. 
.     E isso se refletiu em suas notas.
.     A antes burrinha, que errava simples cálculos de adição e subtração, agora gabaritava tudo. E a sementinha da inveja começou a brotar no coração de seus coleguinhas.
.     Na 5º ano, Clarice já era frequentemente alvo de elogios por parte de todos ex-professores e professores, pela sua capacidade intelectual. Mas, mesmo gostando de ouvir o que os professores falavam dela, Clarice não se sentia bem. 
.     Os quilinhos a mais que ganhou durante os primeiros meses de vida de sua irmãzinha, não mandou embora. 
.     Aliás mandava para dentro. 
.     Comia feito uma condenada, e isso fez subir o ponteiro da balança. 
.     Era alvo de Bullying
.     "Gorda baleia, saco de areia!", "Rolha de poço", "Barriguda", "Elefante", "Grávida", eram as ofensas mais frequentes. Clarice corria atrás das outras crianças que diziam isso, batia, xingava, mas, no fundo, sabia que aquilo era verdade. Isso rendia muitos murros no travesseiro; e muitas lágrimas. Definitivamente aquilo teria de mudar, se não, não saberia se iria aguentar viver com as zombarias para o resto da vida.


***


.     Nas férias do 7º para o 8º ano, Clarice criou coragem, fez uma reeducação alimentar, e perdeu 11kg. Melhorou consideravelmente a sua situação. Seus colegas tiveram um susto ao vê-la no início do ano. É, parecia que as coisas estavam tomando um rumo. E era isso que Clarice esperava. 
.     Ela não ficou um espaguete, mas ficou apresentável. Agora, se sentia feliz em ir à uma loja comprar roupas, o que antes representava algo incômodo, horrível, tenebroso, agora se fazia na maior desenvoltura. 
.    Por essas e outras, Clarice teve, desde bem pequena, seu caráter moldado para as inúmeras situações da vida. Aprendeu que zombar de alguém não te faz melhor, que aparência não é tudo, e o que importa mesmo é o coração. Aliás, importa mesmo.




#Continua




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

#6 Um olhar


.     Naquela tarde de quinta-feira Clarice se sentia entendiada. Havia feito 6 anos a duas semanas e não se sentia nada maior. Aliás, se sentia só maior para os lados. Desde que sua mãe resolveu lhe dar uma irmãzinha, Clarice começou a se sentir escanteada, com todas as atenções na irmãzinha bonitinha e ela nada; por isso se esvaia comendo, havia engordado 5kg já e sabia que devia parar.
.     Nada poderia explicar como Clarice estava se sentindo naquele momento. Ela sabia que havia algo de extraordinário para acontecer em sua vida, mas ainda não sabia definir o quê; somente o tempo a faria compreender. Sua vida andava quase que na mesma, mesmo sendo ela uma menina muito avançada para sua idade, ainda assim, sentia vontade de brincar de casinha, de boneca, de correr, pular, gritar, dançar.
Clarice não foi e nunca seria uma criança hiperativa, mas apenas uma criança normal.
.     Se por um lado Clarice se sentia triste, amoada, sem nenhum tipo de atenção por parte da família; na escola estava se saía muito bem. Ela praticava esportes como ninguém. Sua mãe até brigava com ela por passar na rua jogando bola e andando de bicicleta, mas ela não se importava, sabia que era só ralhação de mãe. Clarice era fora de sério no quesito futebol/volêi e já se destacava desde cedo das demais. Ela tinha futuro.
.     Eram 16:05 da tarde e a professora do 1º ano já anunciava a "educação física", aquele alvoroço na turma, e Clarice sentia, firme, pulsante em seu coração que aquela era a hora, não sabia de quê, mas que algo muito legal aconteceria.
-Profeee!! A senhora vai deixar as meninas jogarem com os meninos ou não?!
-Clarice, nós vamos ter que fazer separado porque os meninos não querem jogar com as meninas.
-Eles não gostam de perder pra gente né, sora!?
.     A declaração sincera de Clarice fez a professora Ana cair na risada:
-É Clarice, você tem razão!
.     Clarice odiava jogar com as meninas porque a Renatinha, uma garota vinda de São Paulo que era muito exibidinha e chatinha, estava sempre reclamando por nada, dando chiliques, etc. o que Clarice DETESTAVA. Ela gostava de jogar com os meninos porque eles eram simples, jogavam e ponto. Não ficavam "ai, você machucou meu pé, sua coisa!"etc, etc. Clarice dava um baile nos meninos e eles odiavam perder para uma garota.
.     Naquele dia, por acaso, uma jogadora do time de futsal da universidade, que era professora das categorias de base, havia chegado naquela hora na escola para divulgar a escolinha e convocar novos atletas. Seu olhar se deteve no jogo de Clarice. Ela não podia negar, que aquela garotinha sabia jogar. Quase não acreditou no que via. Pediu licença e foi falar com Clarice:
-Oi mocinha, tudo bem?
-Tudo sim, e você?
-Olha, eu sou profe da escolinha de futsal da universidade, você não gostaria de participar com a gente?
-Eu? mas eu só tenho 6 anos, o que eu ia fazer lá?!
-Você iria aprimorar o seu jogo, aprender dribles novos, aprender movimentação, essas coisas...
-Ah, isso é legal... Mas antes eu preciso falar com a minha mãe tá?!
.     Clarice deu um beijo na moça e voltou jogar com as coleguinhas. Mariane se encantou com a simpatia da menina, e não podia negar que estava na frente de uma promessa, adorou Clarice logo de cara.

***

.     A primeira coisa que Clarice comentou quando chegou em casa foi sobre a tal escolinha:
-Mas mãe, é muito legal, eu vou aprender a jogar melhor...!
-Clarice, deixa de bobagem, você é uma menina e não um meninho pra andar jogando bola por aí.
-Tá bom, mas não esqueça que a mãe do Ronaldinho dizia a mesma coisa.
-Ele é ele você é você! Pare de frescuras Clarice. Quando seu pai chegar nós conversaremos sobre isso.
-Mãe, por favor, é importante pra mim, e não tem nada de mais, eu vou continuar sendo menina!
-Não discuta Clarice - diz já a mãe irritada - já disse que isso será discutido mais tarde e ponto final.


***

-Claro que você pode Clarice! Sempre quis ter um filho atleta, ainda mais no futebol, poderemos fazer uma dupla imbatível, o que você acha princesa?
-É isso aí pai![famoso gesto do "yes"]
.     O pai de Clarice não se contia em si de felicidade por sua filha se interessar por futebol. Estava radiante, porém a Dona Maria não se agradava muito da história "menina brinca é de boneca!" Mas, se o marido falou, estava decretado, sem revogação. Sabe-se lá o que deve ter passado pela cabeça da mulher quando viu a filha jogando pela primeira vez. E ela tinha futuro mesmo...
.     É, as coisas estavam avançando, para um outro nível... Clarice estava crescendo... Aos poucos mudando... Com certeza o futuro passado de Clarice ainda esconde muita coisa pela frente.



#Continua